Choramingos de velha

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Hoje me dei conta que eu me tornei uma mulher adulta. Não tem mais adolescência, muito menos infância ou qualquer meio termo. Já era, aconteceu. E agora?

Confesso que estou um pouco apavorada. Agora eu entendo perfeitamente os meus pais e quando leio livros ou assisto filmes que relatam os dramas que pessoas “grandinhas” passam, eu consigo me identificar e, quando não, pelo menos me colocar no lugar dos personagens. Os diálogos fazem mais sentido e assistir ao episódio de Friends no qual Rachel faz 30 anos me faz pensar no que eu vou fazer da minha vida até chegar nesta fatídica idade. Se aos 15 eu achava que estaria rica, casada, com filhos e bem resolvida aos 24, agora que estou com 24 como eu espero estar aos 30?

Lembro-me da época em que tudo era claro. Dizem que a adolescência é a fase em que nós ficamos confusos, mas acho que na verdade, quando estamos nessa época da vida, temos certeza de tudo: certeza de que vamos viver pra sempre, que a nossa amiga preferida é e será sempre a melhor pessoa do mundo, que aquela paixonite vai dar em casamento… É quando crescemos que as dúvidas aparecem.

Recentemente passei por uma situação em que a dúvida que me deixou abatida por dias. Não foi qual cor do esmalte colocar, nem em qual escola estudar, muito menos qual curso de graduação fazer, mas sim o que eu quero ser daqui pra frente. Fiquei dividida entre dois polos completamente opostos: seguir meu coração e arriscar tudo para quem sabe um dia me realizar profissionalmente, ou fazer o que parecia ser correto no momento e o que todos queriam que fosse feito? A dúvida durou dois dias, mas pareceu que haviam se passado dois anos, e me pegou de um jeito tão violento, que com certeza não sou mais a mesma pessoa. Eu posso sentir isso.

Independente do que escolhi, o fiz de uma maneira muito mais madura e acreditando que eu sou capaz de fazer algo que irá me trazer bons frutos no futuro. Pela primeira vez, defendi com unhas e dentes o que eu achava que era o certo. Mas o medo está presente todos os dias. A cautela, o receio, o pavor de ter tomado a decisão errada e os questionamentos que isso causa me acompanham desde então. E embora eu ache que sei a resposta, sei que tudo pode mudar a qualquer momento, como aconteceu quando a tal dúvida surgiu. E isso é assustador, para o bem ou para o mal.

Se eu pudesse escolher, teria um pouco mais daquela adolescente destemida que eu era na mulher muito cautelosa que surgiu nem eu sei dizer como. Dizem que é coisa da idade e que o tempo de não se preocupar com muita coisa já passou. Infelizmente, acho que é verdade.  Estou na fase em que me convenço cada vez mais de que nada vem fácil, da preocupação com o futuro e da certeza de que eu terei que lutar todos os dias por uma vida melhor.

Parece um pouco depressivo, mas nem tudo está perdido. Ainda me restam sonhos e mais sonhos. Ainda não conheci a Europa (Londres, eu ainda acredito em nós <3), nem sequer viajei de avião. Mas já passei por desilusões amorosas e aprendi que muitas das pessoas que se dizem minhas amigas não são mais do que simples colegas ou conhecidas. Entendi, finalmente, que convivência amigável não é amizade eterna e que eu preciso parar de me importar com a opinião dos outros e ganhar meu tempo traçando meios para alcançar o fim (ter sucesso, essas coisas).

Foi preciso chorar, cair, ralar o joelho, para entender. Muitos dizem que precisamos agradecer por tais quedas, mas eu ainda estou com o pé atrás com elas, como se a qualquer momento eu fosse despencar, ser enganada, sofrer novamente… Mas eu tento não pensar muito nisso.

E eu achando que quando eu fizesse 18 todos os meus “problemas” estariam resolvidos… Pobre criança. Por essas e outras que eu me pego pensando “ah, se eu pudesse voltar no tempo…” E tem algo mais “coisa de velho” que essa frase? A idade realmente chegou.

[Resenha] “Pode beijar a noiva” de Patrícia Cabot

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Numa época em que livros e contos eróticos estão na moda, Meg Cabot, a diva das histórias sobre princesas modernas e dos livros voltados para o público infanto-juvenil, pode ser, surpreendentemente, uma boa pedida para os jovens que querem se entreter com este universo hot e, ao mesmo tempo, romântico, que está fazendo a cabeça do público leitor de todo o mundo.

Patrícia Cabot é o pseudônimo que Meg utilizou para assinar seus livros voltados para o público jovem/adulto, e um deles é o Pode Beijar a Noiva. Ele conta a história de Emma Van Court, dama londrina que, totalmente apaixonada pelo jovem Stuart, resolve fugir e se casar com ele mesmo tendo consciência de que sua vida muito dificilmente teria conforto financeiro.

Seis meses após o casório, Stuart morre (de uma maneira um tanto bizarra) e Emma se vê sozinha numa cidade pequena e pouco desenvolvida, morando numa cabana em condições precárias ao lado de uma cadela e um galo fujão. Misteriosamente, entretanto, ela passa a ter direito a uma grande herança caso volte a se casar, o que faz com que os marmanjos de todo o vilarejo se interesse por ela/seu dinheiro.

James Marbury, Conde de Denham, primo de Stuart e, dono da fúria de Emma, vai até o vilarejo sem planos de vê-la, mas o destino pregou-lhe uma peça. Ao encontrá-la em uma situação precária e cercada de homens querendo sua herança, James, que não precisa de dinheiro, se oferece como marido temporário de Emma, apenas para liberar a herança de que ela era dona e, posteriormente, ele próprio resolveria tudo para a anulação do casamento, já que não iriam consumar a união. Teoricamente.

O que podemos encontrar em Pode beijar a noiva é um típico romance “sessão da tarde” com pitadas de “tela quente”. Emma e James são divertidos juntos e Patrícia/Meg se esforçou para deixar algumas passagens engraçadas. O casal tem muita química e os capítulos destinados aos beijos apaixonados e ao sexo foram muito bem feitos (e detalhados!). Confesso que esse fato me pegou um pouco de surpresa, esperava por algo mais “infantil”, talvez por preconceito ou pela própria forma de pensar de Emma, que chega a ser chata no início do livro.

O amor que ela sente por Stuart é mostrado de forma breve (já que o próprio era contra demonstrações físicas de afeto dentre outras coisas), o que torna difícil a existência de “teams”, frequentes nos romances atuais. Stuart também é morno, enquanto Emma tinha uma alma “devassa”, como a própria diz. É com James que a personagem encontra a fusão entre a melhor e a pior parte de si. Emma “devassa” é muito mais divertida do que a Emma caridosa, embora as duas estejam presentes em toda a trama.

Quem já está acostumado com literatura erótica com certeza vai achar as relações sexuais entre Emma e James fracas e “sem sal”, mas para aqueles que ainda estão começando no gênero e curtem um bom romance, Pode beijar a noiva é totalmente indicado.

 

PS: Esta resenha, de minha autoria, foi publicada originalmente no blog http://bloggallerya.wordpress.com/. Visitem!

[Resenha] “Cheio de Charme” de Marian Keyes

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Sem “empreguetes” e “patroetes” por aqui. Ao invés de mulheres “cheias de charme”, na obra de Marian Keyes temos o homem perfeito: Paddy de Courcy. Ele é impecável, lindo e importante político na Irlanda. Não era difícil se apaixonar pelo “imprevisível”, como era popularmente conhecido, afinal ele era dono de uma beleza estonteante e de um charme capaz de seduzir qualquer mulher que, pelo menos, respirasse.

Não foram poucas as moças que se encantaram pelo rapaz, e em Cheio de Charme (This Charming Man), conhecemos quatro delas e suas respectivas reações ao saber que Paddy iria, surpreendentemente, se casar. A primeira a ser apresentada é a consultora de moda Lola. Ela acredita que tem um relacionamento amoroso com Paddy, mas descobre que foi apenas mais uma em sua vida. A partir de então, Lola entra em “depressão amorosa” e acaba prejudicando a própria carreira.

Num segundo momento somos apresentados à jornalista Grace. Determinada, independente e com um marido muito fofo, ela é uma das personagens mais encantadoras do livro. Entretanto, quando o assunto é Paddy de Courcy, suas pernas tremem e ela perde grande parte de sua determinação. Apesar de não assumir, ela sente uma intensa atração por Paddy desde a adolescência, quando ele era somente um belo desconhecido e namorava sua irmã Marnie, a terceira personagem que conheceremos.

Marnie é casada, tem duas filhas ainda crianças e uma vida aparentemente estável, mas é de longe a personagem mais problemática da história. Por ser alcoólatra e ter sérias crises de depressão, Marnie, que não acredita na ideia de estar viciada, precisa ter alguém sempre por perto (papel exercido, geralmente, por Grace) para que tente, ao menos, se controlar.

A quarta mulher apresentada é Alicia, futura esposa de Paddy. Mas ao contrário do que é divulgado na mídia, o relacionamento deles não é tranquilo e muito menos amoroso. A personagem sofre nas mãos do noivo, mas acredita que estar perto dele é melhor que qualquer coisa, e por esse motivo não desiste dele, o perdoando sempre, mesmo que isso lhe doa (literalmente).

Apesar da seriedade com que Marian Keyes trata assuntos como alcoolismo e violência contra a mulher, Cheio de Charme tem bons e deliciosos capítulos de puro humor, principalmente os narrados pela personagem Lola. No início, entretanto, o leitor pode ficar um pouco perdido por não saber aonde a autora quer chegar com personagens tão diferentes, intensos e, muitas vezes, complicados.

Paddy de Courcy é caracterizado como “o mais perfeito do mundo”, e pode até ser, mas apenas fisicamente. Ele engana quase todos com o seu sorriso e belo rosto, e mesmo que o leitor tenha pena dele em alguns momentos, acredito que nunca irá querer um Paddy em sua vida.

Cheio de Charme é um livro divertido, intenso, fácil de ler e com personagens muito bem desenvolvidos. Cada um deles tem uma vida além de Paddy de Courcy, ou seja, nem sempre ele é o centro do livro, o que nos leva a conhecer (bem até demais) todas as personagens, como se fôssemos seus amigos.

Com certeza está na minha lista de favoritos, porém não é perfeito: ele possui 784 páginas, o que não seria um problema se muitas delas não fossem totalmente desnecessárias. Aliás, essa é uma das características da autora, que desde Melancia, seu primeiro livro publicado, trata de assuntos sérios, misturados com muito humor e desenvolvidos num exagerado número de páginas.

Obviamente não é um livro que pode te acompanhar facilmente no ônibus ou no metrô, a não ser que você o leia em um e-reader ou em um notebook/smartphone, mas ainda assim eu o considero digno de cinco estrelas.

 

PS: Esta resenha, de minha autoria, foi publicada originalmente no blog http://bloggallerya.wordpress.com/. Visitem!

“Encontrada”, o novo livro de Carina Rissi

Vocês viram? A Carina Rissi lançou, agora a pouco, duas novidades: a primeira e a mais aguardada, é a capa da continuação do livro Perdida, Encontrada – à espera do felizes para sempre, que será lançada em 30 de agosto.

Encontrada

E a segunda novidade está no nome do livro. Originalmente, a segunda etapa das aventuras de Ian e Sofia (Sofian <3) iria se chamar Perdida 2, mas, de acordo com a própria Carina, “aos 46 do segundo tempo” ela resolveu mudar para Encontrada. E mudou para melhor não é? Na minha humilde opinião, Perdida 2 ia ficar muito estranho para nome de um livro.

Já sobre a capa, achei a capa de Perdida mais bonita, confesso. Eu esperava um pouco mais de Ian, apesar da história ser narrada pela Sofia. Algo mais casal, assim como a foto que a própria Carina usou como capa da fanpage do filme no Facebook:

Perdida filme

Mas o vestido branco da Sofis (amigas intimas já) foi de suspirar. Para quem não lembra, SPOILER Sofia e Ian terminam noivos em Perdida, mas o casamento propriamente dito acontecerá (porque eu tenho fé em Carina Rissi) em Encontrada.

Confiram a sinopse oficial:

“Sofia está de volta ao século dezenove e mais que ansiosa para começar a viver o seu final feliz ao lado de Ian Clarke. No entanto, em meio a loucura com os preparativos para o casamento, percebe que se tornar a sra. Clarke não será assim tão simples quanto ela supunha. As confusões encontram a garota antes mesmo de ela chegar ao altar, e uma tia intrometida que não quer que o casamento se realize é apenas uma delas. Coisas estranhas estão acontecendo na vila. Ian parece estar enfrentando alguns problemas, que prefere não dividir com a noiva. Decidida, Sofia fará tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar ao homem que ama. Ela não está disposta a permitir que nada nem ninguém atrapalhe seu futuro. Porém, suas ações podem colocar tudo a perder, e Sofia descobre que a única pessoa capaz de destruir seu felizes para sempre é ela própria.”

Confira um trecho do livro clicando aqui.

[Confissões] sobre livros, fanfics e manias literárias

Eu amo ler. Talvez esta seja a única coisa que eu consiga passar o dia inteiro fazendo sem me cansar. Quando compro/ganho/pego emprestado um livro novo, é como uma renovação: hoje eu posso conhecer uma história que ontem eu não podia. E mergulho nela sem pensar duas vezes. Talvez por isso eu tenha algumas manias irritantes (pra mim e pra quem me conhece também) com relação às minhas leituras. Vou listar algumas delas:

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– Eu odeio quando um livro se torna tão popular, mas tão popular, que praticamente me sinto obrigada a ler só pra não ficar de fora da “onda”. Quando escolho um livro é porque, de alguma forma, ele me tocou, e não porque eu sou obrigada a ler (isso só acontece com livros acadêmicos, que irão me ensinar mais sobre a minha profissão). Por exemplo, Divergente. Todos ao meu redor estavam andando com este livro pra cima e pra baixo, tuitando sobre, criando blogs, páginas, fóruns… e eu aqui, com o livro nas mãos, mas sem vontade nenhuma para ler. Apenas quando pararam de falar um pouquinho sobre ele (antes de começar a ficar famoso de novo por causa do filme) me deu uma vontade absurda de ler e lá fui eu. Atualmente estou passando por isso com A culpa é das estrelas. Tenho o livro, mas até hoje não consegui ler 1) porque é triste, 2) porque todo mundo fala que chorou tanto, mas tanto, que tenho medo de não chorar nada e ser a  louca que não gostou do melhor livro do ano para muitos.

– Eu amo quando meu livro preferido vai virar filme. É muito bom descobrir como seria, visualmente falando, a história acontecer, com pessoas de verdade, cenários de verdade… Este ano descobri que o livro Perdida, de Carina Rissi, vai ser adaptado para o cinema e provavelmente lançado ano que vem. Fiquei tão emocionada que quase chorei. Sério! Imaginem Ian de verdade? E a Sofia com aquele all star e vestidos de época? *.* Mal posso esperar. Mas tem gente que não gosta, não é? Tenho uma amiga que odeia quando seus livros preferidos são adaptados. Isso porque a história perde alguns aspectos, momentos, diálogos, e muita coisa acontece do jeito diferente do original. Claro, é uma adaptação. Nós, como fãs, sempre queremos tudo da história na telona, cada detalhe, beijo, olhar… Mas é impossível, infelizmente. Então, já que não posso ter a história perfeitamente retratada, que seja do melhor jeito possível, cinematograficamente falando. Até porque são duas coisas diferentes. O livro já está pronto, feito. Agora é torcer pelo melhor no cinema. Vem Perdida, Vem!!!

– Eu adoro fanfics. Já escrevi várias (algumas até publiquei, mas a maioria está escondida no meu notebook, rs) e foi de um aprendizado enorme. Quando comecei a me aventurar no word, escrevia muita coisa errada (mesmo!), como o famoso internetês, sabem? Não sei como uma fanfic minha escrita desse jeito fez sucesso, para ser sincera. Hoje sei que não se deve escrever assim, é feio e nada legal para o leitor. Superei alguns vícios também, vírgulas, travessões… Escrever fanfics me fez querer ingressar no mundo da literatura, para escrever cada vez melhor. Me fez dormir tarde da noite pensando em novas histórias. Se as pessoas que criticam as fanfics soubessem como é bom e gratificante poder escrever uma história qualquer e receber um feedback por ela, elogiando ou não, parariam na hora com esse preconceito bobo e iriam para o word mais próximo colocar a história que vive na cabeça delas no papel. Afinal, todos nós pensamos algumas coisas, criamos, vivenciamos um mundo que só existe dentro de nós, nos nossos corações. As vezes quando colocamos elas para fora, coisas maravilhosas acontecem. Eu, por exemplo, fui acompanhada do começo ao fim de uma das minhas fanfics por pessoas tão bacanas, que algumas delas se tornaram minhas amigas.

– Eu não gosto nem um pouquinho das pessoas que criticam quem lê bestsellers. Sério, existe tanta gente que odeia ler, que quando uma delas se interessa por um livro, qualquer um que seja, deveria ser festejado como o final da copa do mundo e não criticado. Houve muito burburinho sobre a trilogia Cinquenta Tons de Cinza também por causa disso. Umas pessoas chamaram de “porcaria”, outras de “melhor livro que já li na vida”. Acontece que eu não posso dizer pra você qual é o melhor livro do mundo. Eu posso dizer pra você qual é o melhor livro do mundo pra mim. Eu particularmente não gosto muito desta trilogia, por exemplo, por questões como: porque ela fala tanto “puta merda”?; o que é isso de “deusa interior”?, achei brega; pra mim funcionava melhor como fanfic (sim, eu li parte de Cinquenta Tons de Cinza quando ainda era Master of the universe, e gostava muito mais), mas esta é a minha opinião. Quem sou eu para chegar aqui e esbravejar pra você que o que você lê não presta? Aliás, eu sou a rainha em amar livros que as “pessoas intelectualizadas” acham ruins, como Crepúsculo (a-m-o Bella e Edward), alguns dos livros de Nicholas Sparks (hello, A última música) e qualquer chick lit da Sophie Kinsella me ganha logo no primeiro capítulo.

– Eu tenho mais livros do que consigo ler e não paro de comprar mais. Jurei para mim que só ia comprar um novo livro quando terminasse de ler os 15 que ainda me restam sem ler aqui na estante. Mas chegou o tão esperado A escolha, final da trilogia A seleção, e eu tive que abrir uma exceção. E ele foi o único que eu não li a última página antes de todas as outras. “Mas isso é ler o final, sua louca!”, sim é. Podem me julgar agora! 😀

– Adoro cheiro de livro novo. Até porque eu não poderia cheirar um livro velho sem parar na emergência toda empolada e com a garganta e o nariz tapados. A-l-e-r-g-i-a, daquelas que dá coceira só de pensar. Ugh!

– Nunca consegui terminar de ler O lado bom da vida. Achei chato.

– Adorei Cheio de charme, da Marian Keyes, mas Um bestseller pra chamar de meu foi tão sofrível que eu larguei na página 300 (ele tem quase 800 páginas!).

– Queria muito o livro “Dizem por aí”, da Jill Mansel, mas achava caro e nunca comprava. Encontrei uma promoção linda na Bienal do Livro do ano passado e comprei ele por R$15. Jurei que seria o primeiro que leria quando chegasse em casa. Até hoje não li.

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Um sonho para sonhar e coragem para realizar

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Anna acordou naquela manhã mais diferente que nunca. Ela podia sentir que até o ar que respirava estava mudado. O que houve? Será que tinha acontecido algo? Do jeito que costumava ser pessimista, pensou logo em algo ruim e o coração apertou. Mas ficou intrigada ao perceber que tudo ao seu redor não havia sofrido mudança alguma. As pessoas continuavam ali – e isso era, definitivamente, uma coisa boa – e ela ainda morava no mesmo lugar. Então chegou a conclusão de que a mudança que percebera tinha acontecido dentro dela e, por isso, ela não sabia dizer se era algo bom ou ruim.

Voltou ao seu quarto e olhou as paredes. Ela mudaria aquelas cores e organizaria os objetos de outro jeito se tivesse a chance. Olhou as suas novas roupas e elas não pareciam mais tão interessantes como no dia em que as comprou. Seus sapatos então, nem se fala… Seria idiota demais pensar que ela havia se tornado, finalmente, uma pessoa adulta? Todos crescem algum dia, mas dá pra perceber quando isso acontecesse? E se aquilo era crescimento, porque era a primeira vez que sentia? Nunca havia amadurecido antes? Ou só dessa vez foi algo realmente significativo?

Anna não podia negar, estava intrigada com aqueles novos sentimentos. Tudo parecia irritantemente igual agora que ela estava diferente. Seus vizinhos eram os mesmos há 15 anos, sem falar que ouviam sempre as mesmas músicas todos os dias. O caminho que fazia para o trabalho era o mesmo desde que entrara na faculdade, seis anos antes. Até ela mesma havia sido insistentemente a mesma durante muito tempo. Percebeu isso ao encontrar fotos antigas, nas quais usava as mesmas cores de roupa que agora, mas não só isso. Ela era a mesma internamente também. Falava do mesmo jeito, ainda adorava as mesmas músicas, tinha as mesmas opiniões formadas sobre os mesmos assuntos e continuava com a mania estúpida de conhecer uma pessoa hoje e já considerá-la sua amiga para o resto da vida.

Começou a chorar. Seria aquilo TPM ou algum tipo de distúrbio hormonal ou mental? O que estava acontecendo? Por um minuto quis voltar a ser a mulher de antes, aquela que estava bem com tudo e todos e só queria seguir com a sua vida em paz. Mas agora aquela vida parecia medíocre demais para ser seguida. Quis encontrar um jeito de mudar rapidamente, ser uma nova pessoa, mas como fazia aquilo?

Foi ao salão de beleza, cortou e pintou os cabelos de preto. Fisicamente ela estava diferente, as pessoas podiam notar isso. “Você está diferente”, “você está mais bonita”, “esse corte valorizou seu rosto”, “você parece mais nova” elas lhe diziam, mas Anna sentia que ainda faltava algo. No dia seguinte, foi ao trabalho com um novo brilho no olhar. Estava ansiosa para se mostrar diferente para os seus colegas e chefes. Os comentários foram os mesmos e teve até mesmo aquelas pessoas que nem repararam. Mas não foi isso que a chateou e sim aquele vazio que ainda sentia.

Ao voltar pra casa, pegou o mesmo ônibus de sempre e, dessa vez, conseguiu se acomodar numa poltrona minimamente confortável. Já estava acostumada com o engarrafamento de todos os dias, mas naquele momento em especial, pareceu insuportável demais.

Anna desceu no meio do caminho e saiu andando sem rumo. Porque as pessoas aceitavam aquela situação? Porque ela também havia aceitado por tanto tempo? Começou a chorar. “Deus, estou mesmo chorando por causa de um engarrafamento?” ela perguntou e, como se estivesse obtendo uma resposta, começou a chover torrencialmente. Anna tentou correr e se proteger em alguma loja, mas desistiu. Continuou a andar, sentindo os pingos grossos a molhar por inteiro.

Ao chegar na rua em que ficava o seu prédio, Anna sentiu algo ainda mais forte: ela odiava aquele lugar, definitivamente. E percebeu que também não gostava daquelas pessoas que a julgavam e falavam dela como se a conhecesse. Odiava ter que passar por ali todos os dias e odiava aquele som alto do seu vizinho, que aparentemente queria mostrar a todos que tinha um eletrônico potente dentro de casa. Odiava não poder fazer nada, nem ao menos jogar uma pedra e fazer aquele aparelho estúpido calar a boca pra sempre.

Entrou no apartamento e começou a chorar mais uma vez. Estava só, então não tinha porque ter vergonha das lágrimas. Decidiu-se que sairia daquele lugar, daquela cidade, daquele país se fosse possível. Ficaria longe das pessoas que não lhe acrescentava nada de bom e esqueceria todas elas. Não sabia se era disso que ela precisava na vida, se era assim que aquele vazio irritante seria finalmente preenchido, mas algo precisava mudar e para melhor. Continuar ali, vivendo do mesmo jeito ao lado das mesmas pessoas não ia lhe ajudar, então ela precisava mudar a si mesma e se mudar, literalmente, o mais rápido que pudesse. Mas Anna sabia que não seria fácil. Se querer fosse poder, ela já estaria longe, mas na vida real ela teria que lutar primeiro.

Ela sabia que não tinha condições financeiras para morar em outro país e até mesmo passar férias fora tornaria o seu orçamento bastante limitado, mas pesquisar por passagens baratas se tornou uma rotina. Avisou aos pais que iria embora e eles não a levaram muito a sério. Anna sempre foi medrosa e não sairia pelo mundo, sozinha, em busca de algo que nem ela sabia o que era. Tinham certeza que não. Mas dessa vez eles estavam enganados. Não conheciam muito bem aquela nova mulher, que tinha uma determinação até então inédita para eles.

Depois que decidiu que iria embora, o trabalho de Anna se tornou um martírio. Ia arrastada, reclamando de tudo e de todos e jurou para si que pediria demissão assim que encontrasse algo melhor. Sim, ela que nunca havia procurado outro emprego, pois se considerava realizada e feliz naquela pequena empresa, começou a se questionar se foi burra demais em aceitá-lo.

Conversou com sua melhor amiga e avisou a ela que estava decidida a ir embora. Achou que ela ia chamá-la de louca, mas para a sua surpresa, o que ganhou foi um “tomara que você consiga” seguido por um abraço apertado. Sentiu-se então com mais força ainda para seguir em frente com aquele plano.

Passaram-se dois anos. Nesse tempo, Anna passou por poucas e boas: perdera amizades que jurava que seriam pra sempre, conheceu novas pessoas e discutiu com algumas delas, emagreceu e manteve seu cabelo mais preto que nunca, conseguiu um novo emprego e um salário melhor, parou de gastar afortunadamente com roupas que não precisava e juntou mês a mês o dinheiro que precisava para viajar por 60 dias pela Europa. E foi.

Sozinha, só com uma mala vermelha e dinheiro para trocar na primeira casa de câmbio que encontrasse, Anna chegou ao aeroporto com um pouco de medo, mas não iria dar pra trás. Deu um beijo em seus pais, um abraço em sua amiga e seguiu seu caminho. Ninguém mais sabia que ela ia para lá. Supersticiosa, achava que se contasse a mais alguém o avião cairia e ela ia morrer sem conhecer o frio europeu.

Ao chegar na Itália, sua primeira parada, foi tomada por um arrependimento absurdo. O que ela estava fazendo sozinha num país que nunca fora antes? Não conhecia ninguém ali e estava tão frio… Arranhou um italiano mal estudado com o taxista e, assim que chegou ao hotel, olhou pela janela do seu quarto a chuva que começava a cair: várias pessoas corriam de um lado para o outro tentando se proteger, outras se arriscavam com guarda-chuvas pequenos demais… não era tão diferente assim, pensou. No final das contas, não importa para onde você vá, as pessoas ainda vão correr da chuva.

Levou apenas dois dias, no entanto, para que a vontade de voltar pra casa passasse. A saudade dos pais já apertava, mas podia falar com eles pelo Skype. As ruas da Itália eram lindas demais para se arrepender de qualquer coisa ali. Conheceu uma jovem de sua idade e alguns de seus amigos durante um passeio turístico. Contou a eles que nem sabia de onde tinha tirado coragem para estar ali, sozinha, e a partir daquele momento, não estava mais só.

Anna fez novos amigos por onde passou e, dessa vez, não jurou que seria pra sempre. Apenas aproveitou o momento e se deixou levar conscientemente em busca da sua realização pessoal. Conheceu Paris, Roma, Espanha, Alemanha, Londres… se fixou por mais tempo em uma pequena cidade na Irlanda e decidiu que ali era bom demais para deixar pra trás. E por lá ficou.

Dizem que ela voltou ao Brasil apenas para regularizar as coisas e foi pra Irlanda definitivamente apenas dois meses depois. Dizem também que seus pais a visitam de seis em seis meses e, vez ou outra, sua amiga vai junto. Dizem que Anna conheceu um rapaz irlandês e que está noiva dele há três semanas. E o mais importante, está feliz como jamais esteve. O seu vizinho, aquele do som irritantemente alto, não notou que ela foi embora e nem se lembraria dela de forma alguma. Ela também não se lembrava de mais nada que lhe atrasava. Estava feliz demais para viver no passado. A súbita coragem de Anna salvou a sua vida.

“Procura-se um marido” – Carina Rissi

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Brasileirinho, cheio de romance, diversão e emoção. Procura-se um marido foi uma daquelas surpresas deliciosas que, vez ou outra, aparecem nas estantes das livrarias e no mundo dos e-books. Autoria de Carina Rissi, o livro conta a história de Alicia, jovem de 24 anos, rica e completamente irresponsável.

Seus pais faleceram quando ela era ainda uma criança, e por esse motivo cresceu com o avô, o Sr. Narciso, dono de uma multinacional. A falta dos pais, no entanto, não fez de Alicia uma criança carente: ela foi criada com muito luxo, mas principalmente carinho e atenção. Mas Alicia nunca foi uma pessoa centrada e com juízo: foi presa em diversos países, vive viajando e tem pavor de responsabilidades. Tudo o que ela quer é aproveitar a vida e o seu belíssimo carro vermelho. Mas quase tudo o que ama lhe é tirado repentinamente.

O Sr. Narciso morre logo no início do livro e a vida dela vira de cabeça pra baixo. O testamento é claro: ela teria que se casar – e se manter casada por, no mínimo, 1 ano – para ter direito a tudo o que o seu avô lhe deixou, e enquanto isso não acontecesse, o trabalho como ajudante de secretária na empresa seria indispensável. Sua casa e todos os seus pertences agora pertencem ao advogado da família, justamente a pessoa que ela menos confia.

Morando na casa da melhor amiga, trabalhando num cargo que ela caracteriza como “humilhante”, ganhando uma miséria e suportando piadinhas e olhares estranhos dos funcionários da empresa – ser neta do dono não ajudou em nada por causa do seu histórico irresponsável -, Alicia se viu presa no inferno. E como se já não bastasse, Max, um dos responsáveis pelas finanças da empresa, resolve implicar com ela também. Arrogante e frio, ainda bem que a 1ª impressão nem sempre é a que fica! Ele trata Alicia como uma pessoa sem capacidade pra fazer qualquer serviço direito, e é assim que surgem as discussões divertidíssimas entre os dois.

Querendo se livrar do inferno que a sua vida virou, ela apela para um anúncio de jornal, onde oferece uma parte de sua herança para o homem que aceitar ser seu marido por 1 ano. Depois de vários homens assustadores aparecerem para a entrevista, eis que surge Max o irritante, é claro. Ele precisa casar para conseguir uma promoção na empresa, ela pra voltar a ser rica e ser dona de sua própria vida. Clichê e extremamente fofo.

A relação de Max e Alicia não podia ser melhor. Eles são engraçados, quentes, e embora não assumam de início, completamente apaixonados. Mas não é só isso: a relação de Alicia com o avô é extremamente emocionante. Foi impossível conter as lágrimas em vários trechos do livro. Confesso que no começo não queria lê-lo, pois pareceu clichê demais. Mas fico feliz por ter me rendido e, até o momento, foi o melhor livro que li este ano. Já penso em reler o mais rápido possível.

Terminei com um sorriso no rosto e sabendo que o livro foi completo em si. Ele se encerra no momento certo, sem buracos, interrogações ou qualquer coisa do tipo. Procura-se um marido é um livro adulto, com temáticas adultas, mas com aquele gostinho teen. Nota 10. Livro recomendadíssimo.